O governo anunciou na última semana de Maio a redução para 0% no IPI dos carros 1.0, além de uma redução do IOF e do prazo de financiamento. Quem ganha com isso? Ou melhor de quem é a renda que aumenta?
A redução tem validade até agosto, ou seja, um prazo curto. Temos de lembrar que o pequeno empresário, que vende carros usados, acaba sofrendo um impacto negativo, pois automaticamente cai o preço do usado, reduzindo e em alguns casos zerando o lucro desse agente, já o consumidor tem um beneficio aparente, que é poder comprar um carro novo por um preço menor, ou seja, aumentar seu endividamento, o que afeta negativamente sua renda, sem falar que na maioria dos casos contrai um financiamento com juros que apesar de menores em comparação aos anteriores, ainda são altos. As concessionárias, que normalmente são empresas de pequeno porte, tem algum ganho, por venderem carros
Portanto, através dessa analise, nota-se que quanto menor o poder econômico, menos se usufrui de vantagem com tal politica. O consumidor de baixa renda irá comprometer a renda com compra de carro e não terá nenhum ganho real. O pequeno empresário terá prejuízo com venda de usados desvalorizados. O médio empresário terá ou um ganho muito pequeno, ou nulo com venda de carro 0 km. Mas as Mega-Multinacionais obterão ganho real com maiores índices de vendas de seus produtos.
É importante ressaltar também que a taxa de lucro das montadoras de veículos no Brasil é maior que no resto do mundo. O que é um desprezo há um de seus maiores mercados de consumo. Outro ponto importante é a remessa de lucros ao exterior, ou seja, o dinheiro que você ganha com seu trabalho e paga aquele carro, não fica aqui, esse dinheiro vai pra fora do nosso País, o que é péssimo para nossa economia e para todos nós. Uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, mostrou que algumas montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por boa parte do lucro mundial das suas matrizes. A indústria automotiva brasileira bateu um triste recorde histórico de lucros e dividendos remetidos ao exterior em 2011. Segundo balanço do BC (Banco Central), em 2011, foram U$$ 5,58 bilhões (aprox. R$11,27 Bilhões), mais de 36% do que no ano anterior, sendo a líder no ranking das indústrias que envia lucro ao exterior.
Se recordarmos de outras politicas expansionistas desse tipo, veremos que na frente o contribuinte "pagará o pato" através de politicas restritivas impostas pelo governo para suprir o déficit dessa primeira politica expansionista.Seria plausível e importante uma politica desse tipo se atingisse principalmente as empresas de pequeno e médio porte, que são responsáveis por 60% dos empregos no País e 99% dos estabelecimentos formais. São as que realmente necessitam de aporte do governo, contudo são as mais prejudicadas por suas políticas aristocráticas e populistas. Além do que não há por parte dessas o envio de lucro ao exterior, que em 2011 bateu um recorde de mais de US$ 38 bilhões.
No fim, pagamos a conta por mantermos vivas sanguessugas de nossa economia.